domingo, 6 de julho de 2014


AQÜÍFERO GUARANI: VÍTIMA DA COBIÇA E DA DEGRADAÇÃO

O Aqüífero Guarani, a maior reserva de água pura do mundo, está presente no subsolo de quatro países da América do Sul. Embora a maioria da população desconheça a sua importância, grandes grupos econômicos o cobiçam, ao mesmo tempo em que setores do agrobusiness o degradam.
Em 1999, uma missão de identificação de projetos do Banco Mundial, em Washington, chefiada pela consultora americana K. Kemper, esteve no Brasil, visitando a Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e a Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília.
O objetivo era confirmar informações do governo americano sobre o potencial de água subterrânea nos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais, de Goiás, do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso.
Sob a coordenação de Gabriel Azevedo, chefe para Recursos Hídricos do Banco Mundial na época, em Brasília, foi realizada, em julho de 2000, em Foz do Iguaçu, a primeira reunião de preparação de uma mega iniciativa: o Projeto para a proteção ambiental e manejo sustentável do Aqüífero Guarani. A iniciativa objetivava reunir informações e conhecimento sobre esta reserva. O interesse internacional estava confirmado.
Gabriel Azevedo acabou ganhando prestígio em Washington, por viabilizar o acesso e controle das informações estratégicas sobre o Aqüífero Guarani ao Banco Mundial. Alguns anos depois, foi promovido a chefe de todos os projetos de biodiversidade da entidade no Brasil. A partir de 2001, sob a influência direta do então ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney, a coordenação do projeto do Aqüífero Guarani passou para as mãos do geólogo Luiz Amore.
Tendo integrado a primeira Unidade Nacional de Preparação do Projeto, iniciei campanha pela difusão da existência dessa riqueza, com a edição do livro O grito das águas. Conseqüentemente, fui afastado de todas as discussões sobre o projeto, principalmente por ter denunciado que o Banco Mundial liberaria mais de US$ 25 milhões apenas para pesquisa e levantamento de informações estratégicas. Não foram destinados recursos para a divulgação dos riscos de contaminação da reserva, tão pouco para conscientização da população.
Curiosamente, na mesma época, indústrias multinacionais como a Nestlé e Coca-Cola começaram a comprar todas as fontes de água localizadas nas áreas de recarga e afloramento do Aqüífero, dando início a conflitos pelo uso da água, especialmente em São Lourenço, Minas Gerais, e na região do Chaco, Paraguai.
Se, por um lado, grandes indústrias buscam apropriar-se das áreas do Aqüífero para extrair, se beneficiar e lucrar, existem outras formas de degradação igualmente nocivas, que podem agravar a dificuldade de acesso da população a essa riqueza.
Por estar sob áreas agrícolas produtivas, as águas subterrâneas correm sérios riscos de contaminação, principalmente pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, despejos de resíduos
sem
tratamento, entre outras ações degradantes. Entre as regiões mais sensíveis, destaca-se a área agrícola entre São Carlos e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, e a área turística na região de Caldas Novas, em Goiás. No primeiro caso, no centro de Araraquara, estão localizadas as principais unidades industriais da Cutrale e Citrosuco, que despeja resíduos na terra sem tratamento, sendo que, nessa região, o Aqüífero está há menos de 5O metros de profundidade.
Além disso, trata-se de uma região com alta produção de álcool e açúcar, havendo queimadas terríveis, além de despejar diretamente na terra resíduo tóxico da produção da cana. Vale lembrar que a região controla mais de 90% do mercado mundial de suco de laranja. Talvez esse seja o motivo pelo qual o governo nada faz para punir as agressões ambientais.
No segundo caso, o risco se agravou muito desde que o governador Marcone Perillo fez a Assembléia Goiana votar a lei que cria o Marco Regulatório do Saneamento, seguindo orientação do BID. Assim, fica aberta a possibilidade de privatização das águas do estado e "venda de excedentes de produção".

Reação da sociedade civil

Em junho de 2003, por iniciativa da deputada federal Selma Schons, do Paraná, foi criada, no Congresso Nacional, a Frente Parlamentar em Defesa da Pesca e das Águas. Com o apoio do Movimento Grito das Águas, a Frente levou para a Câmara dos Deputados a preocupação da sociedade com o futuro desse patrimônio natural.
Com o lançamento da Campanha da Fraternidade de 2004, cujo lema foi Água, Fonte de Vida, a questão ganha dimensão nacional, com o envolvimento de mais de 30 mil comunidades em todo o país. Como resultado concreto, surge a Defensoria da Água, um colegiado de instituições unidas em defesa da sociedade nas demandas em relação ao uso, acesso e contaminação das águas. A Defensoria conta com a participação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Ministério Público Federal, Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outras.
Além disso, recentemente, entre 17 e 20 de março, foi realizado em Genebra, Suíça, o II Fórum Mundial Alternativo da Água, reunindo movimentos sociais que lutam pela água como um direito humano em diversas partes do mundo.
Contrários ao tratamento desse bem natural como mercadoria, os movimentos sociais se preparam para grandes mobilizações contra a sua mercantilização e dos demais recursos naturais. Já está marcada a realização, no México, do IV Fórum Mundial das Águas, apoiado pelo Banco Mundial e FMI.
É importante ressaltar também que duas importantes deliberações, tomadas pela delegação dos movimentos sociais reunidos em Genebra, beneficiam o Brasil. A primeira foi a eleição da Defensoria da Água para integrar o Comitê Internacional do Fame (Forum Alternatif Mondial de L'eau). A segunda foi o apoio internacional para a realização de mais um Fórum Social das Águas – Internacional, no período de 8 a 12 de marco de 2006, em Alfenas, Minas Gerais.

Trocando em miúdos

Com dimensão de mais de 1 milhão e 200 mil km2 e capacidade de abastecer o mundo por 300 anos, o Aqüífero Guarani é resultado de uma formação rochosa de mais de 250 milhões de anos. Trata-se da junção de três reservas aqüíferas: Tacuarambo, Botucatu e Misiones, localizadas no Brasil, no Paraguai, na Argentina e no Uruguai.
Ao descobrirem que, na verdade, tratava-se de uma única reserva, pesquisadores(as) uruguaios(as) a batizaram de Aqüífero Guarani, em homenagem aos povos homônimos que viviam na superfície abrangida. Assim, reforçaram a crença de que os Guarani ergueram diversas de suas nações nessas localidades por caminharem sempre em direção à água mais pura. Assim, sua sabedoria ancestral já lhes indicava aquela preciosidade.
Dizimados e afastados de suas origens, as regiões que abrangem o Aqüífero Guarani sofreram inúmeras transformações. Na superfície está a Bacia do Prata, cujas águas nascem no Distrito Federal e na Serra da Mantiqueira e atravessam as regiões mais ricas e industrializadas do continente, sendo contaminadas constante e progressivamente.
 
Leonardo Moreli
Ibase, maio de 2005
Disponível em:http://www.geografiaparatodos.com.br/index.php?pag=sl98l. Acesso em:  06 de julho de 2014
ÁGUA VIRTUAL



 






 VIRTUAL - é aquela usada, direta ou indiretamente, na produção de um bem ou serviço. Ou seja, é aquela água que você não vê a que foi usada durante os processos da cadeia produtiva, da produção de matéria-prima até o consumo final.
John Anthony Allan, um professor britânico desenvolveu o conceito denominado "água virtual" que mede a quantidade gasta do precioso líquido na produção de alimentos e que lhe valeu o "Prêmio Estocolmo da Água 2008"(Water Prize 2008), prêmio atribuído anualmente pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo.

De acordo com esta teoria uma xícara de café, por exemplo, equivale a um gasto de 140 litros de água. Os cálculos do consumo da água vão desde o cultivo à produção e ao empacotamento do café.

Para se obter meio quilo de queijo são necessários 2.500 litros de água e um quilo de carne de vaca, até chegar ao consumidor, consome mais de 10 mil litros.

Por dia, um ser humano consome entre dois mil e cinco mil litros de "água virtual"

Comece a economizar mais ainda...enquanto existe

Produto/
Teor de
ÁGUA VIRTUAL (em L)

Produto (kg)/
Teor de
ÁGUA VIRTUAL (em L)

Carro/400000

Par de sapato de couro/ 8000
                            
Gasolina (1L)/ 10

Um hambúrguer/ 2400

Uma calça jeans/ 10000

Uma folha de papel A4/10

Umcomputador /1500

Uma xícara de Café  /140

Uma xícara de chá   /35

Um copo de cerveja/75

Um copo de vinho
(125 mL) / 120




Arroz /  2.500                        
Aveia /2.374                          
Aves  /   3.650                      
Azeite de Oliva / 11.350             
Azeitona /  2.500                     
Banana  /500                        
Beterraba/    193                 
Batata/ 132
Cana de açúcar  / 318           
Carne de boi /17.100                 
Carne de porco /5250
             
Laranja /380                      
Legumes/1.000                       
Leite   (L) / 800                      
Manteiga  /18.000                    
Milho /1.025                          
Óleo  palma /  2.000              
Óleo  de soja  /  5.405             
Ovos/3.700                            
Pão /150                            
Queijo /5.280
Raízes/Tubérculos/ 1.000            
Soja  /2.525                          
Tomate  /105                        
Trigo /1.575                          
Uva   /455                                                                        



 



Um mergulho mais fundo nos negócios da água

Por Joel Makower

Um deles, "água virtual", ganhou notoriedade quando seu mais importante patrocinador, professor John Anthony Allan, do
King's College
London e School of Oriental and African Studies, recebeu o 2008 Stockholm Water Prize Allan cunhou o termo em 1993 para se referir à quantidade de água embutida na produção e comércio de alimentos e produtos de consumo. Uma xícara de café, por exemplo, tem 140 litros (cerca de 37 galões) de água virtual, quando se considera a quantidade de água usada para cultivar, produzir, empacotar e enviar os grãos. Um hambúrguer contém 2400 litros (634 galões) de água virtual. (Prêmio Estocolmo para Água, 2008).
O conceito de água virtual (também conhecido como "água embutida" ou "incorporada") representa mais do que interesse acadêmico. Enquanto as preocupações com água inundam um crescente número de regiões, a água embutida de produtos comuns oferece um entendimento útil sobre como os recursos de água são impactados pelo comércio no mundo. Por exemplo, explica como e o porquê países como os EUA, Argentina, e Brasil "exportam" bilhões de galões de água todos os anos - na forma de, digamos, trigo e carne com intensa quantidade de água - enquanto outros como o Japão, Egito e Itália "importam" bilhões.



O conceito também poderia ser útil na política nacional de agricultura, tanto quanto a "energia embutida" tem ajudado políticos a entenderem que o cultivo e o processamento de milho para produzir biocombustíveis pode exigir uma quantidade maior e significativa de energia do que dar lucros (não que esse conhecimento tenha dissuadido políticos de apoiarem biocombustíveis com quantidade intensa de energia, claro). Além disso, ela pode se tornar um fator no preço de muita matéria-prima, caso os impostos sobre carbono ou sistemas de comércio iluminem produtos com quantidade intensa de energia e carbono, tais como o alumínio, vidro e plástico.

Há outras implicações. Os cálculos de água virtual, sem dúvida, levarão empresas, pessoas e outros a calcularem suas pegadas de água (water footprint), a medida completa de água embutida nos produtos que compram e atividades que fazem. E isso pode acelerar o interesse no que Peter Gleick, sócio fundador e presidente do Pacific Institute, chama de "caminho suave", uma abordagem muito mais integrada e sofisticada da água, nas quais diferentes tipos - potável, cinza, marrom etc. - são usados da melhor maneira, ao invés de usar água potável - que é da melhor qualidade, para lavar banheiros, regar o gramado etc.

Numa entrevista, Gleick disse que as empresas compreendiam muito pouco sobre a água embutida em seus sistemas.

Há muito pouco entendimento ou conexões de valia entre os negócios de água. Cada setor usa a água de um jeito ou de outro. Alguns usam muita, outros nem tanto, mas para muitos negócios, a água representa um componente surpreendentemente grande na produção, tanto indireta quanto diretamente, na cadeia de fornecimento. Então, por exemplo, o setor de bebidas pode usar de 3 a 4 galões de água para produzir 1 galão de refrigerante, cerveja ou leite, mas, geralmente, é uma quantidade de água mil vezes maior usada na primeira parte do processo, talvez para cultivar o açúcar que vai no refrigerante. Da mesma forma, na indústria têxtil, é necessário água para fabricar o tecido, mas precisa de muito mais água para cultivar a fibra.

Testemunhamos cada vez mais exemplos em que, se as empresas não dão a devida atenção à água que é usada em sua produção, acabam recebendo surpresas desagradáveis, tais como: Quando uma comunidade local protesta contra o uso de sua água e acontece uma seca que afeta o fornecimento, ou quando tem um problema de contaminação da água que resulta na cassação da licença de funcionamento.

E Gleick continua: "Acho que o risco para as empresas é maior em alguns aspectos da água do que em relação à energia. A energia tem substituições. Pode-se substituir o petróleo ou eletricidade por biocombustíveis ou energias renováveis. A água não dá para substituir."

A Coca-Cola sabe disso. E, por anos, tem entrado em conflito com ativistas, comunidades, entre outros, por causa do uso que faz da água - que, claro, é ingrediente fundamental de todas as suas bebidas. Em anos recentes, uma série de inovações antecipou a necessidade de uma estratégia mais abrangente da água no mundo. No final dos anos 90, começaram a adquirir marcas de água - sendo sua principal marca nos EUA a Dasani. Em 2002, a empresa enfrentou protestos na Índia devido ao alongamento de recursos de água subterrânea pela empresa. Um ano depois, passou a se referir à qualidade e quantidade de água como um material de risco para seus negócios em seu U.S. Securities and Exchange Commission Form 10-K (Formulário 10-K da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) para investidores.

Em reação, a Coca-Cola "desenvolveu e continua a melhorar um dos mais sofisticados programas de gestão responsável de água no setor privado", de acordo com um novo relatório da Business for Social Responsibility .. "A partir de março de 2008, nenhuma outra organização se comprometeu publicamente a alcançar a "neutralização da água" por todas as operações que se estendem por mais de 100 bacias subterrâneas no mundo todo."


A neutralização da água é uma idéia atraente na era dos compromissos com a neutralização do carbono e desperdício zero. Mas o recurso é um pouco diferente do carbono e resíduos: () Há uma quantidade finita de água, o que não acontece com os outros dois, e.  não há maneiras conhecidas de substituí-la. Além disso, como a BSR ressalta:

No que se refere à água, a verdadeira sustentabilidade envolve mais do que a "neutralização" do volume de água usada [pela Coca-Cola]. O motivo é que as flutuações na quantidade e qualidade de água disponível destinada a uma comunidade ou ecossistema têm um importante papel na sustentação da diversidade e no funcionamento adequado dos ecossistemas e bacias dos rios.

A Coca-Cola anunciou suas metas para neutralização da água. A empresa se comprometeu a "estabelecer metas de uso eficiente de água para suas operações mundiais até 2008, a fim de tornar-se a mais competente  entre as empresas do mesmo setor", e prometeu que, até 2010, devolverá  toda a água usada nos processos de fabricação ao meio-ambiente, num nível que garanta a vida aquática e a agricultura."

A Coca-Cola planejou seu trabalho para alcançar tudo isso. O relatório da BSR aponta que, no ano passado, seis organizações - Twente University, WWF, Coca-Cola, World Business Council for Sustainable Development, Water Neutral/Emvelo Group e a UNESCO-IHE - juntaram-se para investigar os benefícios da neutralização da água como um importante marco. Os grupos criaram critérios para legitimar o uso do termo:

1.     Definição, medição e divulgação das "pegadas de água";
2.     Realizadas todas as ações que sejam "razoavelmente possíveis" para reduzir as pegadas de água existentes em operações;
3.     Harmonização das pegadas de água com resíduo (quantidade remanescente, após uma empresa fazer o possível para reduzir as pegadas), por meio de um "investimento razoável" ao estabelecimento e a projetos que priorizem o uso sustentável e igualitário da água.
4.       Isso envolve mais do que alguns assuntos sentimentais - É preciso "começar," por exemplo: Definir investimentos razoavelmente possíveis. (). Por enquanto, espero, a barreira crescerá.

Isso pode funcionar? Será que a "água neutra" vai se tornar o próximo "Grande Projeto" no campo corporativo da eficiência dos recursos? Será que fará diferença em termos reais? É uma idéia em seu nascedouro, portanto ainda tem de ser vista. Porém, a tendência crescente das crises contínuas da água sugere que mais e mais empresas aprenderão sobre a "água virtual" e a "água neutra".

Nesse momento, acho que apenas algumas empresas - aquelas cujos produtos e reputação estão mais ligadas a recursos preciosos - estarão dispostas a mergulhar de cabeça.


E quanto uma pessoa consome de água virtual?

Considerando-se uma dieta básica com carne, podemos considerar que uma pessoa consome cerca de 4.000 litros de água virtual por dia. A dieta vegetariana requer em torno de 1.500 litros. Um simples café da manhã, chega a representar o consumo de 800 litros de água virtual!   



 

 DICA






 



 

Disponível em:http://ivege.no.comunidades.net/index.php?pagina=1281331762. Acesso em: 06de julho de 2014





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