Sou professor
a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o
autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a
ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante
contra qualquer forma de descriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos
ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que
inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professor a favor da
esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me
consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza de minha própria
prática, boniteza que dela some se não cuido do saber, se não luto pelas
condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o
risco de se amofinar e de já não ser mais testemunho que deve ser de lutador
pertinaz, que cansa, mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática
se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos meus alunos, não canso de me
admirar.
Freire,
1996.
Parabéns Professor Matias! É de grande valia o seu blog!
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