BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO
HISTÓRICA-GEOGRÁFICA DE BOTUPORÃ
O lugar que hoje recebe o nome de Botuporã
foi gestado com o nome de Caititu. Como muitos outros municípios da Bahia e do
Brasil, ele traz na sua origem o nome de um animal que no o momento atual já
não se encontra mais. Mais uma vez a exemplo do Brasil e da Bahia, os primeiros
exploradores desta terra ao que indica não preocupavam muito com o aspecto da
preservação ambiental, não por culpa única deles, mas porque estes faziam parte
de um sistema em que a exploração dos recursos não era uma preocupação. Fatos
que vem acontecendo até nos dias atuais.
Algum tempo depois, o nome Caititu foi
substituído por Monte Belo, numa variação em homenagem agora em seu relevo e
sua paisagem, que também foi perdendo espaço para a introdução da pecuária, e
com a falta de orientação e formação técnica foi se destruindo também os
morros, ato que hoje é proibido por lei, no entanto esta ação continua sendo
aplicada, isso mostra que o sistema educacional não tem conseguido orientar os
produtores Botuporenses sobre a necessidade de preservação dos montes, não só
porque eles homenageiam a cidade, mas também como uma forma de respeito com a
natureza e consigo próprio.
Por último Monte Belo é rebatizado com
o nome de Botuporã, é mais uma homenagem a aqueles nativos que por essas
regiões vivia, e que, no entanto tiveram seu espaço ocupado por criadores
vindos da região da chapada diamantina depois da decadência do diamante naquela
região.
Os primeiros responsáveis pela ocupação
desse espaço que hoje é Botuporã foram as famílias Marques, que se instalaram
nas proximidades do Pajeú; os Costas na Lagoa D`água e Espanhóis: os Pamplona
no Taquaril e Moias no Sítio. Toda essa região era ocupada por tribos indígenas
do tronco do Jê (Taxuas e Tapuas). Havendo também a existência de comunidade
descendentes de quilombolas como o Préa e Lagoa D’ água dos Costas, que era
chamada Lagoa D’água do Zamba.
O espaço urbano de Botuporã começa a se
germinar em 1910, quando Acurcio José de Oliveira membro do Apostolado do
Sagrado Coração de Jesus. Morador da Fazenda Caititu e possuidor de uma pequena
loja de tecidos constrói a primeira capela em louvor ao Sagrado Coração de
Jesus. Já em 1922, por iniciativa de José Marques da Neves, dá-se início a
feira livre no povoado de Caititu.
Como fica claro neste breve histórico.
Botuporã desde a sua gestação é marcado por um aspecto histórico e geográfico
muito forte, todos eles marcado por um processo de ocupação territorial que
desrespeitava nem só os nativos como também toda as suas formas de
sobrevivência, e seu habitat. Botuporã é também marcado pelos invasores
portugueses e espanhóis vindos de uma região onde a exploração do diamante já
se encontrava decadentes, e estes como todo explorador procuram novas formas de
ocupação de espaço e utilização dos recursos disponíveis de forma a não
respeitar nem os nativos nem seus meios de sobrevivência como já foi mencionado
anteriormente.
Localizada na região semi-árida, conta
com uma precipitação anual entre 700
a 800 milímetros; temperatura média de 21,9ºC;
seu período chuvoso é de novembro a fevereiro; a vegetação predominante é a
caatinga; as ocorrências minerais são: amiânto, barita, mármore e ametista; os
tipos de solos da região são solos litólicos distrófico mais afloramento de
rochas; latosolo vermelho e amarelo distrófico mais podzólico vermelho, amarelo
equivalente eutrófico mais plansolo solódico; podzólico vermelho, amarelo
equivalente mais solos litólicos eutróficos . Geologicamente falando a região e de origem da era Pré-cambriana
indiferenciado, cobertura detrítica-laterítica ou areno-argila-laterítica. Às
vezes com espécies cascalheiras. Formação; Boquira, subgrupo: espinhaço.
Com todas as características citadas
acima, provavelmente esta região deve sofrer mais com os efeitos das mudanças
do clima. Sua economia é baseada na Agricultura e na Pecuária, tendo como
principais produtos agrícolas s o feijão, milho, algodão, mandioca. Em pecuária
tendo como principais rebanho o gado bovino, suínos, ovinos e caprinos.
Como suas características econômicas
demonstram o cuidado com a natureza precisa ser um assunto levado a sério pela
sociedade e pelo poder público do município, aja visto que a sua economia está
basicamente sustentada no setor primário da economia. A atenção com as
nascentes deve ser uma das prioridades, aja visto, que segundo os relatos orais
que se ouve, um dos motivos da localização da sede do município esta
relacionada a fonte de água que existia no local, mesmo assim, as nascentes
existentes no município estão desaparecendo; um outro cuidado que precisa ter é
com as derrubadas, é preciso observar que as paisagens dos morros continua
sendo destruída dando lugar aos capins para manter a criação de gado; e os
animais silvestres será que continuam sendo destruídos como o caititu?
É necessário fazer uma reflexão
profunda sobre a forma como Botuporã foi gestada, relacionar-se com a gestão da
Bahia e do Brasil. Durante todo este tempo o que estes três espaços têm em
comum? Entender essa trajetória de exploração com certeza dará pistas do que se
pode fazer para evitar que as pessoas e o meio ambiente continuem sendo
explorados nestes espaços e principalmente, como educares assumir uma postura
crítica diante da realidade ainda vivida nos dias atuais. Fazer da educação
Ambiental um instrumento de construção coletiva de alternativas, demonstrando que
os cidadãos e cidadãs de Botuporã estão dispostos a corrigir os erros cometidos
no passado. O primeiro passo é fazer esse resgate histórico para evidenciar
quem foram os responsáveis por esta destruição, que sistemas essas pessoas
serviam e quem tinha o poder de mando naquele momento. Assim como, quem foram
os mais explorados com estas atitudes.
Esta breve contextualização
histórica-geográfica teve como objetivo provocar a reflexões de educadores,
educandos, a sociedade e as autoridades, no sentido de buscar formas que possam
reparar os danos causados ao meio ambientes e aos descendentes dos povos
nativos que daqui foram expulsos e também para com aqueles que vieram servir
aos seus senhores aqui na região, e que do mesmo modo foram explorados. Pois,
talvez alguns tipos de exploração sofrida pela fauna e a flora, igualmente
pelos cidadãos que ajudaram a construir o município pode estar acontecendo até
nos dias atuais.
A educação não pode omitir estas
informações, pois eles poderão ajudar as pessoas a se unirem num objetivo
comum, no sentido de corrigir as injustiças cometidas com o ser humano e com o
meio ambiente neste espaço, pois sem esta consciência Histórica-Geográfica
local, dificilmente se entenderá o que vem acontecendo no restante do Brasil e
do mundo.
Antonio Matias de Souza
ótimo texto
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