terça-feira, 13 de maio de 2014

BREVE HISTÓRICO DE BOTUPORÃ-BAHIA



BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA-GEOGRÁFICA DE BOTUPORÃ
 O lugar que hoje recebe o nome de Botuporã foi gestado com o nome de Caititu. Como muitos outros municípios da Bahia e do Brasil, ele traz na sua origem o nome de um animal que no o momento atual já não se encontra mais. Mais uma vez a exemplo do Brasil e da Bahia, os primeiros exploradores desta terra ao que indica não preocupavam muito com o aspecto da preservação ambiental, não por culpa única deles, mas porque estes faziam parte de um sistema em que a exploração dos recursos não era uma preocupação. Fatos que vem acontecendo até nos dias atuais.
Algum tempo depois, o nome Caititu foi substituído por Monte Belo, numa variação em homenagem agora em seu relevo e sua paisagem, que também foi perdendo espaço para a introdução da pecuária, e com a falta de orientação e formação técnica foi se destruindo também os morros, ato que hoje é proibido por lei, no entanto esta ação continua sendo aplicada, isso mostra que o sistema educacional não tem conseguido orientar os produtores Botuporenses sobre a necessidade de preservação dos montes, não só porque eles homenageiam a cidade, mas também como uma forma de respeito com a natureza e consigo próprio.
Por último Monte Belo é rebatizado com o nome de Botuporã, é mais uma homenagem a aqueles nativos que por essas regiões vivia, e que, no entanto tiveram seu espaço ocupado por criadores vindos da região da chapada diamantina depois da decadência do diamante naquela região.
Os primeiros responsáveis pela ocupação desse espaço que hoje é Botuporã foram as famílias Marques, que se instalaram nas proximidades do Pajeú; os Costas na Lagoa D`água e Espanhóis: os Pamplona no Taquaril e Moias no Sítio. Toda essa região era ocupada por tribos indígenas do tronco do Jê (Taxuas e Tapuas). Havendo também a existência de comunidade descendentes de quilombolas como o Préa e Lagoa D’ água dos Costas, que era chamada Lagoa D’água do Zamba.
O espaço urbano de Botuporã começa a se germinar em 1910, quando Acurcio José de Oliveira membro do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus. Morador da Fazenda Caititu e possuidor de uma pequena loja de tecidos constrói a primeira capela em louvor ao Sagrado Coração de Jesus. Já em 1922, por iniciativa de José Marques da Neves, dá-se início a feira livre no povoado de Caititu.
 Como fica claro neste breve histórico. Botuporã desde a sua gestação é marcado por um aspecto histórico e geográfico muito forte, todos eles marcado por um processo de ocupação territorial que desrespeitava nem só os nativos como também toda as suas formas de sobrevivência, e seu habitat. Botuporã é também marcado pelos invasores portugueses e espanhóis vindos de uma região onde a exploração do diamante já se encontrava decadentes, e estes como todo explorador procuram novas formas de ocupação de espaço e utilização dos recursos disponíveis de forma a não respeitar nem os nativos nem seus meios de sobrevivência como já foi mencionado anteriormente.
Localizada na região semi-árida, conta com uma precipitação anual entre 700 a 800 milímetros; temperatura média de 21,9ºC; seu período chuvoso é de novembro a fevereiro; a vegetação predominante é a caatinga; as ocorrências minerais são: amiânto, barita, mármore e ametista; os tipos de solos da região são solos litólicos distrófico mais afloramento de rochas; latosolo vermelho e amarelo distrófico mais podzólico vermelho, amarelo equivalente eutrófico mais plansolo solódico; podzólico vermelho, amarelo equivalente mais solos litólicos eutróficos . Geologicamente falando  a região e de origem da era Pré-cambriana indiferenciado, cobertura detrítica-laterítica ou areno-argila-laterítica. Às vezes com espécies cascalheiras. Formação; Boquira, subgrupo: espinhaço. 
Com todas as características citadas acima, provavelmente esta região deve sofrer mais com os efeitos das mudanças do clima. Sua economia é baseada na Agricultura e na Pecuária, tendo como principais produtos agrícolas s o feijão, milho, algodão, mandioca. Em pecuária tendo como principais rebanho o gado bovino, suínos, ovinos e caprinos.
Como suas características econômicas demonstram o cuidado com a natureza precisa ser um assunto levado a sério pela sociedade e pelo poder público do município, aja visto que a sua economia está basicamente sustentada no setor primário da economia. A atenção com as nascentes deve ser uma das prioridades, aja visto, que segundo os relatos orais que se ouve, um dos motivos da localização da sede do município esta relacionada a fonte de água que existia no local, mesmo assim, as nascentes existentes no município estão desaparecendo; um outro cuidado que precisa ter é com as derrubadas, é preciso observar que as paisagens dos morros continua sendo destruída dando lugar aos capins para manter a criação de gado; e os animais silvestres será que continuam sendo destruídos como o caititu?
É necessário fazer uma reflexão profunda sobre a forma como Botuporã foi gestada, relacionar-se com a gestão da Bahia e do Brasil. Durante todo este tempo o que estes três espaços têm em comum? Entender essa trajetória de exploração com certeza dará pistas do que se pode fazer para evitar que as pessoas e o meio ambiente continuem sendo explorados nestes espaços e principalmente, como educares assumir uma postura crítica diante da realidade ainda vivida nos dias atuais. Fazer da educação Ambiental um instrumento de construção coletiva de alternativas, demonstrando que os cidadãos e cidadãs de Botuporã estão dispostos a corrigir os erros cometidos no passado. O primeiro passo é fazer esse resgate histórico para evidenciar quem foram os responsáveis por esta destruição, que sistemas essas pessoas serviam e quem tinha o poder de mando naquele momento. Assim como, quem foram os mais explorados com estas atitudes.
Esta breve contextualização histórica-geográfica teve como objetivo provocar a reflexões de educadores, educandos, a sociedade e as autoridades, no sentido de buscar formas que possam reparar os danos causados ao meio ambientes e aos descendentes dos povos nativos que daqui foram expulsos e também para com aqueles que vieram servir aos seus senhores aqui na região, e que do mesmo modo foram explorados. Pois, talvez alguns tipos de exploração sofrida pela fauna e a flora, igualmente pelos cidadãos que ajudaram a construir o município pode estar acontecendo até nos dias atuais.
A educação não pode omitir estas informações, pois eles poderão ajudar as pessoas a se unirem num objetivo comum, no sentido de corrigir as injustiças cometidas com o ser humano e com o meio ambiente neste espaço, pois sem esta consciência Histórica-Geográfica local, dificilmente se entenderá o que vem acontecendo no restante do Brasil e do mundo.
                                                                                                         Antonio Matias de Souza




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