sexta-feira, 2 de maio de 2014

CONTEXTUALIZANDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNDO E NO BRASIL


            A partir do final dos anos 60 e início dos anos 70, os movimentos em defesa das questões ambientais começam a ganhar força em todo o mundo, na tentativa de chamar a atenção das pessoas e autoridades políticas, sobre a importância de se pensar a problemática ambiental de forma global. Diante das pressões feitas sobre os diversos países e suas instituições políticas, os movimentos ambientalistas conseguiram convencer os governos a discutir os problemas ambientais de forma mais global.

            Em 1979, em Estocolmo na Suécia a ONU realizou a primeira conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento, esta conferência contou com a participação de vários países e de diversas organizações da sociedade civil, que resultou em diferentes estudos e a elaboração de documentos e compromissos com relação aos problemas ambientais encontrados no planeta.

            Em 1977, a UNESCO organizou uma conferência intergovernamental de Tibilisi, Geórgea, sobre educação ambiental, esta conferência foi de fundamental importância para a afirmação da educação ambiental como uma prática a ser realizada para a sensibilização da sociedade e para cuidar melhor do ambiente que vive construindo uma nova relação da sociedade com a natureza. Esses movimentos encontram na educação ambiental uma forma de contribuir com a formação das pessoas através da sua inclusão nas discussões em sala de aula, de maneira formal e também informal em outros espaços através de diversas campanhas nos meios de comunicação social.

            Na ECO 92, realizada no Rio de Janeiro-Brasil continuou os debates sobre como trabalhar a educação ambiental, na agenda 21 foi dedicado o capítulo 32 para a discussão e apresentação de objetivos e linhas de trabalho desta temática.

            A posição brasileira diante das discussões mundiais sobre meio ambiente na década de 70 foi pouco significativa, o regime ditatorial não permitia o debate político sobre as questões ambientais e sociais, os movimentos ambientalistas representavam naquele momento histórico um obstáculo para o desenvolvimento que o governo militar almejava. Os problemas ambientais eram tratados numa visão somente naturalista, sem incluir as temáticas socioambientais nas discussões sobre a problemática ambiental brasileira.


            Com as mudanças que aconteceram no campo político e social no ano 80, quando os movimentos sociais clamavam por mudanças na situação política social e econômica, no campo das questões ambientais, houve avanços consideráveis. Por exemplo, tivemos a instituição da Política Nacional do Meio Ambiente e do Sistema Nacional do Meio Ambiente, através da lei 6.938 de agosto de 1981. Havia naquele momento uma discussão sobre a necessidade ou não de incluir a educação ambiental como disciplina escolar, em algumas regiões foram feitas algumas experiências neste sentido, mesmo com estas experiências o conselho federal de educação enfatizava a necessidade de incluir a educação ambiental com um caráter interdisciplinar.

            No campo político aumentava as discussões sobre meio ambiente, nas lutas pela democratização clamada pelos movimentos sociais ajudaram, também, nas conquistas de mudanças nas políticas voltadas às questões ambientais. Com a promulgação da constituição de 1988, foi posto na lei a obrigatoriedade de se trabalhar a educação ambiental no diversos níveis de ensino, do fundamental ao superior, e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente, no artigo 225. Esta proposta de trabalho foi mais detalhada nos PCNs como um tema transversal.

Em 1997, numa sessão especial da assembléia geral da ONU, a chamada “Rio+5”, diante das avaliações realizadas sentiu-se a necessidade de uma discussão maior das questões ambientais para avaliar as ações que foram propostas e apresentadas na ECO 92, surgindo a idéia de uma nova cúpula mundial definida como Rio+10 para uma analise mais profunda das questões ambientais mundiais, esse evento foi realizado em johannesburgo, na África do Sul. Entre os principais temas que foram tratados, estão à erradicação da pobreza, a mudança dos padrões de produção, consumo e manejo de recursos naturais e o desenvolvimento sustentável.

Essas discussões mostram que pouco se avançou neste aspecto desde a ECO 92, percebe-se que muitas nações têm pouco interesse em analisar essas questões e principalmente realizar ações concretas que possam diminuir os problemas sócio ambientais mundiais. Ultimamente também foi realizada a conferência mundial sobre mudanças climáticas, onde mais uma vez ficou claro a necessidade de uma conscientização e  busca de mudanças de atitudes das sociedades e dos governos nos diversos países, assim como,  uma formação mais adequada dos membros que auxiliam os governos para que vejam a educação ambiental como um dos instrumentos indispensáveis nas diversas esferas do poder  na mudança de mentalidade e ações dos governos, das empresas e da sociedade na busca de ações que visem amenizar os problemas que devem ser enfrentados por todos com as mudanças climática previstas.

No Brasil, também tem sido realizadas conferências, estaduais e nacional sobre meio ambiente e mudanças climáticas, nas quais a sociedade civil tem dado a sua contribuição apresentando proposta de ação concreta para o enfrentamento das questões ambientais locais e nacionais. Entre os eixos temáticos discutidos nestas conferências, a Educação ambiental também tem sido debatida. Demonstrando que sem um processo de educação ambiental eficiente, participativo e democrático ficará difícil enfrentar os problemas apresentados com as mudanças do clima. Assim como, também tem sido apresentado e discutido ente outras ações o COM-VIDA, que é a proposta de um coletivo, que discute a qualidade de vida a partir do espaço escolar, e que propõem para isso a participação de todos os envolvidos no processo educativo na escola.

                                                                                                 Antono Matias de Souza

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