
A
partir do final dos anos 60 e início dos anos 70, os movimentos em defesa das
questões ambientais começam a ganhar força em todo o mundo, na tentativa de
chamar a atenção das pessoas e autoridades políticas, sobre a importância de se
pensar a problemática ambiental de forma global. Diante das pressões feitas sobre
os diversos países e suas instituições políticas, os movimentos ambientalistas
conseguiram convencer os governos a discutir os problemas ambientais de forma
mais global.
Em 1979, em Estocolmo na Suécia a
ONU realizou a primeira conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento, esta
conferência contou com a participação de vários países e de diversas
organizações da sociedade civil, que resultou em diferentes estudos e a
elaboração de documentos e compromissos com relação aos problemas ambientais encontrados
no planeta.
Em 1977, a UNESCO organizou
uma conferência intergovernamental de Tibilisi, Geórgea, sobre educação
ambiental, esta conferência foi de fundamental importância para a afirmação da
educação ambiental como uma prática a ser realizada para a sensibilização da
sociedade e para cuidar melhor do ambiente que vive construindo uma nova
relação da sociedade com a natureza. Esses movimentos encontram na educação
ambiental uma forma de contribuir com a formação das pessoas através da sua
inclusão nas discussões em sala de aula, de maneira formal e também informal em
outros espaços através de diversas campanhas nos meios de comunicação social.
Na ECO 92, realizada no Rio de
Janeiro-Brasil continuou os debates sobre como trabalhar a educação ambiental,
na agenda 21 foi dedicado o capítulo 32 para a discussão e apresentação de
objetivos e linhas de trabalho desta temática.
A posição brasileira diante das
discussões mundiais sobre meio ambiente na década de 70 foi pouco
significativa, o regime ditatorial não permitia o debate político sobre as
questões ambientais e sociais, os movimentos ambientalistas representavam
naquele momento histórico um obstáculo para o desenvolvimento que o governo
militar almejava. Os problemas ambientais eram tratados numa visão somente
naturalista, sem incluir as temáticas socioambientais nas discussões sobre a
problemática ambiental brasileira.
Com as mudanças que aconteceram no
campo político e social no ano 80, quando os movimentos sociais clamavam por
mudanças na situação política social e econômica, no campo das questões
ambientais, houve avanços consideráveis. Por exemplo, tivemos a instituição da
Política Nacional do Meio Ambiente e do Sistema Nacional do Meio Ambiente,
através da lei 6.938 de agosto de 1981. Havia naquele momento uma discussão
sobre a necessidade ou não de incluir a educação ambiental como disciplina
escolar, em algumas regiões foram feitas algumas experiências neste sentido,
mesmo com estas experiências o conselho federal de educação enfatizava a necessidade
de incluir a educação ambiental com um caráter interdisciplinar.
No campo político aumentava as
discussões sobre meio ambiente, nas lutas pela democratização clamada pelos
movimentos sociais ajudaram, também, nas conquistas de mudanças nas políticas
voltadas às questões ambientais. Com a promulgação da constituição de 1988, foi
posto na lei a obrigatoriedade de se trabalhar a educação ambiental no diversos
níveis de ensino, do fundamental ao superior, e a conscientização pública para
a preservação do meio ambiente, no artigo 225. Esta proposta de trabalho foi
mais detalhada nos PCNs como um tema transversal.
Em 1997, numa sessão especial da
assembléia geral da ONU, a chamada “Rio+5”, diante das avaliações realizadas sentiu-se
a necessidade de uma discussão maior das questões ambientais para avaliar as
ações que foram propostas e apresentadas na ECO 92, surgindo a idéia de uma
nova cúpula mundial definida como Rio+10 para uma analise mais profunda das
questões ambientais mundiais, esse evento foi realizado em johannesburgo, na
África do Sul. Entre os principais temas que foram tratados,
estão à erradicação da pobreza, a mudança dos padrões de produção, consumo e
manejo de recursos naturais e o desenvolvimento sustentável.
Essas discussões mostram que pouco se avançou
neste aspecto desde a ECO 92, percebe-se que muitas nações têm pouco interesse em analisar essas questões e
principalmente realizar ações concretas que possam diminuir os problemas sócio
ambientais mundiais. Ultimamente também foi realizada a conferência mundial
sobre mudanças climáticas, onde mais uma vez ficou claro a necessidade de uma
conscientização e busca de mudanças de
atitudes das sociedades e dos governos nos diversos países, assim como, uma
formação mais adequada dos membros que auxiliam os governos para que vejam a
educação ambiental como um dos instrumentos indispensáveis nas diversas esferas
do poder na mudança de mentalidade e
ações dos governos, das empresas e da sociedade na busca de ações que visem
amenizar os problemas que devem ser enfrentados por todos com as mudanças
climática previstas.
No Brasil, também tem sido realizadas
conferências, estaduais e nacional sobre meio ambiente e mudanças
climáticas, nas quais a sociedade civil tem dado a
sua contribuição apresentando proposta de ação concreta para o enfrentamento
das questões ambientais locais e nacionais. Entre os eixos temáticos discutidos
nestas conferências, a Educação ambiental também tem sido debatida.
Demonstrando que sem um processo de educação ambiental eficiente, participativo
e democrático ficará difícil enfrentar os problemas apresentados com as
mudanças do clima. Assim como, também tem sido apresentado e discutido ente
outras ações o COM-VIDA, que é a proposta de um coletivo, que discute a
qualidade de vida a partir do espaço escolar, e que propõem para isso a
participação de todos os envolvidos no processo educativo na escola.
Antono Matias de Souza
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